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Série Vice – Lê Almeida.

A partir de agora o ::Tutoriais Photoshop:: irá apresentar para vocês algumas séries da Vice, líder da indústria na criação e distribuição de conteúdo original de alta qualidade.

Hoje com o morador de Vilar dos Teles, distrito de São João do Meriti (na Baixada Fluminense), Lê Almeida compõe com a mesma prolificidade e com o mesmo talento para a melodia que Robert Pollard, do Guided By Voices. A diferença mais significativa talvez seja a de que nos tecnológicos anos 10 o lo-fi – que continua incluindo gravadores Tascam de quatro canais, vocais enterrados na mixagem e uma dose de ruído que embebe todo o som – seja mais uma escolha estética consciente do que a alternativa faça-você-mesmo que representava na década derradeira do século passado.

De certa forma, Lê também é fruto desse ser triste que é o indie carioca (herdeiro direto do gótico que andava de sobretudo no calor de 40 graus nos anos 80), que sonha com uma vida em Londres e troca os chinelos pelo tênis All-Star e a praia por uma trilha sonora que inclui Jesus & Mary Chain, Teenage Fanclub, My Bloody Valentine, Pavement e Pixies. Em eterno conflito (às vezes interno, como no caso da Pelvs e suas odes ao surfe) com a cultura balneária do Rio de Janeiro, acabou enfurnando-se em porões e garagens e, estranhamente, produziu obras de respeito no ainda incipiente indie rock brasileiro, como You, do Second Come.

Informado e influenciado por essa cena, mas longe demais da Zona Sul, Lê acabou criando – com a indispensável ajuda dos amigos – seu próprio espaço, fincando a bateria no quintal de casa, no meio dos varais de roupas, gravando com um microfone podre de computador e fundando a caseira Transfusão Noise Records para dar vazão ao trabalho de toda a sua turma, um casting de bandas que inclui nomes como Tape Rec, Babe Florida, Uma Nova Orquídea em Meu Jardim Alucinógeno, Coloração Desbotada e Carpete Florido. O barulho dessa cena, tocada com amor e shows em biroscas e motoclubes, reverberou para fora do subúrbio fluminense e, se ainda não conquistou a grande imprensa nacional e internacional, já angariou aliados fora do estado, lançando em 2011 discos de grupos como Top Surprise (MG) e Hierofante Púrpura (SP).

Talvez o principal impulsionador disso seja o próprio projeto autoral de Lê Almeida, que aumenta diariamente sua base de fãs, de trinta-quarentões nostálgicos pelos eflúvios noventistas a adolescentes interessados em algum roque que vá para além do pau-molismo representado com louvor pelas escalações dos festivais de “rock” do verão brasileiro. É claro que as letras espertas sobre bikes, comprimidos amigos, cachorros fiéis e discos voadores, declamadas num quase dialeto que entorta o português em busca de um híbrido que consiga dar conta do embromation que permeou a lírica do indie brazuca ajudam sobremaneira. Pode não ser nada fácil querer brincar de rock no Brasil, mas Lê Almeida faz soar como se isso não passasse de um passeio no parque, e uma vez que você começar essa caminhada, não vai mais querer voltar.

Escrito por André Sugai

Publicitário, Photoshopista, criador do Tutoriais Photoshop, ex-colaborador do Tech Tudo (http://Globo.com), iMasters (UOL) e Revista Photoshop Creative.

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